sábado, 2 de outubro de 2010

Miragem

Sem qualquer esperança
te espero.
Na multidão que vai e vem
entra e sai dos bares e cinemas
surge teu rosto e some
num vislumbre
e o coração dispara.
Te vejo no restaurante
na fila do cinema, de azul
diriges um automóvel, a pé
cruzas a rua
miragem
que finalmente se desintegra
com a tarde acima dos edifícios
e se esvai nas nuvens.

Ferreira Gullar. In: Gullar Singular

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