terça-feira, 6 de julho de 2010

Dolores

(...)

Se alguém me fixasse, insisti ainda,
num quadro, numa poesia...
e fossem objetos de beleza os meus músculos frouxos...
Mas não quero. Exijo a sorte comum das mulheres nos tanques,
das que jamais verão seu nome impresso e no entanto
sustentam os pilares do mundo, porque mesmo viúvas dignas
não recusam casamento, antes acham sexo agradável,
condição para a normal alegria de amarrar uma tira no cabelo
e varrer a casa de manhã.

Uma tal esperança imploro a Deus.


Adélia Prado. In: Poesia Reunida


À minha mãe, que me ensinou a ter esperanças.
Porque ainda é aniversário dela.
PARABÉNS, mamis! :)

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