domingo, 6 de junho de 2010

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente
e me ouves de longe, minha voz não te toca
parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma
borboletas de sonhos, pareces com minha alma
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas. e estás como distante,
e estás como que te queixando, borboleta em arrulho
e me ouves de longe e minha voz não te alcança
deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio,
clara como uma lámpada, simples como um anel
e como a noite, calada e constelada
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente
distante e dolorosa como se tivesses morrido
uma palavra então um sorriso bastam
e eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
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Pablo Neruda
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