quarta-feira, 5 de maio de 2010

Incontentado

Paixão sem grita, amor sem agonia,
Que não oprime nem magoa o peito,
Que nada mais do que possui queria,
E com tão pouco vive satisfeito...

Amor, que os exageros repudia,
Misturado de estima e de respeito,
E, tirando das mágoas alegria,
Fica farto, ficando sem proveito...

Viva sempre a paixão que me consome,
Sem uma queixa, sem um só lamento!
Arda sempre este amor que desanimas!

Eu, eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
O coração, malgrado o sofrimento,
Como um rosal desabrochado em rimas.
.
.
Olavo Bilac. In: Alma Inquieta
.

2 comentários:

  1. "Eu, eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
    O coração, malgrado o sofrimento,
    Como um rosal desabrochado em rimas."

    A parte que mais me chamou atenção. Talves pelo teor de subjetivismo. Parabéns pelo Blog. Gostei muito. [Ad. Junior]

    ResponderExcluir