quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Oriente

manda-me verbena ou benjoim no próximo crescente
e um retalho roxo de seda alucinante
e mãos de prata ainda (se puderes)
e se puderes mais, manda violetas
(margaridas talvez, caso quiseres)


manda-me osíris no próximo crescente
e um olho escancarado de loucura
(em pentagrama, asas transparentes)


manda-me tudo pelo vento:
envolto em nuvens, selado com estrelas
tingido de arco-íris, molhado de infinito
(lacrado de oriente, se encontrares)


Caio Fernando Abreu. In: O essencial da década de 1970

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