segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Poema XLIV

Talvez eu seja
O sonho de mim mesma
Criatura-ninguém
Espelhismo de outra
Tão em sigilo e extrema
Tão sem medida
Densa e clandestina

Que a bem da vida
A carne se fez sombra

Talvez eu seja tu mesmo
Tua soberba e afronta.
E o retrato
De muitas inalcançáveis
Coisas mortas.

Talvez não seja
E ínfima , tangente
Aspire indefinida
Um infinito de sonhos
E de vidas.

Hilda Hilst. In: Cantares de perda e predileção

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