domingo, 30 de outubro de 2016

Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto - Sino de Ouro

Hoje eu queria fazer um poema
Com pena dos versos de chumbo que faço
E faria um poema voando tão leve
Um poema de éter, poema de pássaro


Hoje eu faria um poema tão peixe
Nada nos seus olhos da cor do melaço
Um poema azul
Um poema marinho
Um poema pescado
Tomado de assalto


Hoje eu faria um poema tão fino
Batendo no sino
Que achei num tesouro
Num sonho dourado
Um poema magia
Depois te daria
Meu sino de ouro




















quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Que os afetos perdurem

Enquanto os hipócritas defendem a família tradicional, seguem felizes as famílias sem compromisso com as convenções sociais. Onde tem amor, sempre cabe mais amor. Proteger a família não pode ser desculpa para manter um casamento infeliz. Família dura enquanto o afeto durar, não acaba quando o casamento chega ao fim. Que o casamento dure enquanto for bom para ambos. E que chegue ao fim sem culpas, caso não fizer mais sentido continuar. Que os afetos perdurem. E que as pessoas se sintam livres para seguir em frente. Que continuem acreditando no amor e na felicidade como direito, mas também como fruto de nossas escolhas individuais.


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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

E precisamos todos rejuvenescer!

"No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
(...)
E o que há algum tempo era jovem e novo
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer."


De volta à memória!

“A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.”

Eduardo Galeano


Três anos sem publicar no blog. Tanta coisa aconteceu de lá pra cá, que nem vale a pena explicar por que fui, muito menos por que voltei. O importante é que, daqui pra frente, minha memória poética será novamente compartilhada. Em pequenas doses, como sempre. :)


domingo, 1 de setembro de 2013

Sentença de Amor

"Entramos, e a primeira pessoa que se aproximou era aquela cujo aspecto me tinha feito desembarcar. Era Anita! A mãe de meus filhos! A companhia de minha vida, na boa e na má fortuna.  A mulher cuja coragem desejei tantas vezes. Ficamos ambos estáticos e silenciosos, olhando-se reciprocamente, como duas pessoas que não se vissem pela primeira vez e que buscam na aproximação alguma coisa como uma reminiscência.  A saudei finalmente e lhe disse: 'Tu deves ser minha!'. Eu falava pouco o português, e articulei as provocantes palavras em italiano. Contudo fui magnético na minha insolência. Havia atado um nó, decretado uma sentença que somente a morte poderia desfazer. Eu tinha encontrado um tesouro proibido, mas um tesouro de grande valor." 

Giuseppe Garibaldi sobre quando conheceu Anita Garibaldi.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Lembrança Alada


Em alguma vida fui ave.

Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante.

E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta.

Liga-me à terra
uma nuvem e seu desleixo de brancura.

Vivo a golpes com coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.

Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda o seu nome
no travesseiro do tempo.

Em alguma ave fui vida.



Mia Couto

terça-feira, 23 de abril de 2013

Definição


"Talvez estivéssemos sentindo a mesma coisa, ou talvez fosse porque era tão bom vê-lo novamente. Essa pode ser uma boa definição da palavra amor: é tão bom ver você."


Deb Caletti. In: Um Lugar para Ficar